Bianca Freire-Medeiros (FFLCH-USP), Alexandre Magalhães (UFRGS) e Palloma Menezes (IESP-UERJ), do MTTM, estão organizando o dossiê (I)Mobilidades Socioespaciais e Suas Infraestruturas: Práticas, Materialidades e Sentidos, na Revista Brasileira de Sociologia, da Sociedade Brasileira de Sociologia.
A ideia é explorar desafios teóricos e metodológicos, trazendo à tona aspectos móveis. Por isso, o interesse está, sobretudo em artigos que tragam resultados de pesquisas empíricas relativos (mas não limitados) aos seguintes tópicos:
a) visão processual da construção, manutenção e utilização das infraestruturas que permitem a circulação de diferentes entes em variadas escalas;
b) afetos, emoções e imaginações de futuro investidos nas infraestruturas de mobilidades;
c) infraestruturas de mobilidade como metonímias da marginalidade e da diferença;
d) a perspectiva política sobre as infraestruturas – físicas e digitais – e seus efeitos de exclusão e demarcação de fronteiras entre espaços e coletivos;
e) consideração dos atores e suas ações de subversão e reinvenção das condições de uso das infraestruturas de circulação;
f) mercado imobiliário e “vidas móveis”;
g) militarização e controle dos fluxos urbanos;
h) desigualdades de acesso a infraestruturas de mobilidade no contexto da pandemia da Covid19.
A chamada é sensível, assim, a análises que investiguem o que as infraestruturas de mobilidade fazem, atentando para o que Merriman (2016), no contexto do paradigma das mobilidades, denomina practices of infrastructuring.
No arcabouço teórico, é consenso que a mobilidade socioespacial de pessoas e artefatos, imagens e informações depende de infraestruturas materiais ou humanas (Simone, 2004; Hannam et al. 2006) que permitam a realização e a continuidade das ações moventes. Ainda são poucas, no entanto, as pesquisas que se voltam para as interseções entre fluxos e fixos, circulações e seus suportes. O dossiê pretende, dessa forma, reunir contribuições que explorem processos de produção e uso de estruturas de sustentação relacionadas à mobilidade, aqui entendida como o entrelaçamento de movimento, representações e práticas, possibilitado por infraestruturas materiais conectadas (Cresswell 2006; Adey et al. 2014). A ideia é colocar em diálogo as contribuições epistêmicas de duas “viradas” que vêm animando a teoria social contemporânea: o giro móvel e o giro infraestrutural.
As submissões podem ser feitas até o dia 10 de março no site da publicação. Os detalhes da chamada podem ser acessados aqui.
